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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Em busca de um destino

Agência Rio de Notícias
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05/01/2012 13:40:48
Em busca de um destino
Mário Moura
Noticiar os fatos, essa é a tarefa básica de um repórter. Porém, há momentos
em que o repórter deve ir além dos fatos, e ao lançar um olhar profundo
sobre o cotidiano de uma cidade, por exemplo, encontrar explicação
para as repetidas reclamações dos seus habitantes.
É isso que procuro fazer quando falo da cidade onde vivo: Itatiaia,
que atingiu a maioridade, mas continua uma cidade sem rumo, sem
rota, sem destino. Pelo menos essa é a leitura que faço quando
converso com meus vizinhos, que vivem em Itatiaia há mais tempo
que eu. Alguns dos quais, frustrados protagonistas da campanha a
favor da emancipação da cidade.
Não me agrada fazer esse registro, como uma reflexão de início de
ano sobre a realidade de Itatiaia. Mas, é doloroso imaginar que uma cidade
com tanto potencial, em vários campos da atividade humana, não nos dê
esperança de dias melhores e envelheça tão precocemente. Para constatar
este cenário, basta dar uma volta pelas ruas, quase em ruínas, da cidade.
Tive recentemente o dissabor de fazer isso ao lado de amigo que me visitava.
Ao final do passeio, para minha tristeza, ele declarou: “Que cidade feia”.
Foi uma provocação galhofeira, é verdade, que por isso não mereceu de mim
uma resposta indignada. Mas será que eu teria argumento para contestá-lo?
Estamos às portas de mais uma eleição municipal. Oportuno momento para a
população refletir sobre o futuro de Itatiaia, que ganha, é verdade, um fachada de
desenvolvimento, que encanta os olhos de quem passa pela Rodovia Presidente
Dutra, mas que oculta e minimiza suas mazelas.
A propósito, não custa lembrar-se de uma frase famosa proferida por Trancredo
Neves, que não teve a oportunidade de mudar o Brasil como era o seu desejo:
“não há desenvolvimento quando à qualidade de vida da população não melhora”.
Talvez não seja possível promover as melhorias sociais desejadas com a mesma
velocidade com o qual as empresas constroem seus parques industriais, mas, por
mais paciente que seja a pacata população de Itatiaia, ela já dá sinais de que não
suporta mais esperar para viver com mais dignidade.
O abandono da cidade revelado em preto e branco, sem a maquiagem das
publicações oficiais, contrasta com a imagem de paraíso turístico associado à
Itatiaia desde o tempo em que a cidade não passava de um pacato distrito de Resende.
Destino caro do turismo nacional, Itatiaia preserva mazelas, que certamente não
deixa feliz nem quem a visita e muito menos quem vive nela. Não se salvam nem
os sedutores pontos estratégicos do turismo da região das Agulhas Negras, o distrito
de Penedo e o Parque nacional do Itatiaia, que resistem, bravamente, a degradação
do tempo e a omissão dos gestores públicos, que ao longo do tempo têm demonstrado
pouca criatividade para explorar este potencial turístico.
As belezas naturais da cidade continuam sendo o seu grande atrativo. Mas, as ocupações
irregulares, a acelerada favelização e o desrespeito ao meio ambiente colocam em risco
essa dádiva da Natureza. É triste ver que em pouco mais de duas décadas de vida, as
condições desse tesouro da Natureza pioraram bastante. A taxa de preservação
ambiental, neste contexto, é um verniz para encobrir a aparência da verdade. O retrato
cruel da vida em Itatiaia é um soco no baço da população. Uma realidade que é preciso
ter coragem e competência para enfrentar, o que lamentavelmente tem faltado às
administrações públicas que se sucederam no comando da cidade até então.
Em ano de eleições municipais, constato uma divisão entre os eleitores de Itatiaia:
um grupo reúne aqueles que condenam os pecados do passado, mas perdoam os
pecadores, que não erram sozinhos. Disputam esses votos o atual prefeito,
Luis Carlos Ypê (PP), e os ex-prefeitos Almir Dumay (PR) e Jair Alexandre (PSDB),
que já tiveram a oportunidade de mudar a cara da cidade. O outro grupo de
eleitores fala em renovação, com base no ditado popular que diz: “errar é humano,
insistir no erro é burrice”. Até o momento disputam esses votos a psicóloga
Gilda Mollica (PT) e o vereador Sancler (PDT).
Seja quem for o futuro prefeito de Itatiaia, terá a dura missão de frear a degradação
da cidade e a obrigação de, sem remoer os erros do passado recente, assumir a
responsabilidade de buscar soluções para os problemas, todos vistos a olhos nus,
que desafiam o tempo e paralisam a cidade.

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